Fato indiscutivel: não gosto de natal. Não, nem os panetones nem as férias são motivos bons o suficiente para me fazer suportá-lo. Deixem-me justificar-me.
Primeiramente, por não ser religiosa, o nascimento de Jesus não é mais importante do que o de nenhuma outra pessoa no mundo. No entanto, por motivos óbvios, escolhi festejar apenas aniversários de conhecidos (e, no máximo, conhecidos de conhecidos), o que exclui o supracitado a menos que sejamos devidamente apresentados.
Segundo, a correria das compras faz o comércio ficar insuportável: centenas de senhoras e senhores carregando incontáveis sacolas, se expremendo pelos corredores dos shoppings e tornando impraticável até mesmo um simples almoço de domingo.
Em terceiro lugar, a programação televisiva. Quando, que não durante as festas de fim de ano, os telespectadores seriam expostos a tão massivas demonstrações de amor e respeito ao próximo?! Crianças e adultos de coração puro mostram como é gratificante fazer o bem, vilões se arrependem de seus erros e todos vivem em paz. Ah!, e a Globo - sempre inovando - transmite Esqueceram de Mim e o especial em que a Xuxa salva Papai Noel.
Aliás, gostaria de fazer uma (breve) observação com relação ao "bom velhinho": ele me lembra Dom João VI. Aquela roupa pesada parece ser suada e fedorenta (sim, porque lá no pólo norte é frio, mas e quando ele vem entregar presentinhos em pleno verão no hemisfério sul?!); aquela barba deve ter resquícios da janta de dez dias anteriores; aquelas bochechas rosadas e os olhinhos pequenos, ninguém me tira da cabeça, são resultado de ingestão compulsiva de conhaque. Isso porque não quero entrar no mérito da maldade que é mentir para uma criança durante anos até aquele coleguinha pentelho da segunda série chegar para ela e falar, com toda a propriedade de quem conhece como ninguém o mundo, "Vai dizer que você ainda acredita em Papai Noel?! Ele não existe, bobão!".
Mas ainda não cheguei no ponto principal, que, diga-se de passagem, desencadeou este humilde desabafo: as decorações de natal. Quando digo isso, não me refiro à massante tarefa de montar a árvore na privacidade de sua sala de casa, pendurando ene bonequinhos, bolinhas e afins. Refiro-me aos milhões de kilowatts coloridos e piscantes espalhados pela cidade, tomando conta de fachadas, vitrines, letreiros etc. Por favor, não me levem a mal: não sou uma ditadora que visa banir quaisquer ornamentações, até porque cada um paga suas contas - e, se não paga, o problema também não é meu - e tem o direito de fazer o que quiser com a decoração de sua residência ou estabelecimento.
E devo acrescentar, ainda que as inovações decorativas me dessem sempre um certo receio, surpreendentemente, até hoje, nunca havia tido uma real reclamação a esse respeito. Até hoje.
Abri a cortina de meu quarto; deparei-me com uma árvore de arame, oca, montada do lado de fora de uma janela, com luzes vermelhas criando uma aura de uns dois metros de raio e alguns enfeites nem um pouco estrategicamente colocados.
Sabe quando bate aquela sensação de vergonha alheia?! Foi como me senti, com olhos vidrados na cena, testa franzida, dedos inquietos alternando entre o queixo, a boca, atrás da orelha...
Parecia que Roxanne - sim, aquela música mesmo - havia sido composta especialmente para esse momento. Pude até mesmo jurar, por um segundo, ter ouvido Sting cantá-la.
Minhas sinceras desculpas àqueles que esperavam uma razão um pouco mais séria para este texto.
E, ao meu vizinho anônimo, aprenda com as criancinhas de nobre coração e faça uma boa ação neste natal: "don't put on the red light".
Primeiramente, por não ser religiosa, o nascimento de Jesus não é mais importante do que o de nenhuma outra pessoa no mundo. No entanto, por motivos óbvios, escolhi festejar apenas aniversários de conhecidos (e, no máximo, conhecidos de conhecidos), o que exclui o supracitado a menos que sejamos devidamente apresentados.
Segundo, a correria das compras faz o comércio ficar insuportável: centenas de senhoras e senhores carregando incontáveis sacolas, se expremendo pelos corredores dos shoppings e tornando impraticável até mesmo um simples almoço de domingo.
Em terceiro lugar, a programação televisiva. Quando, que não durante as festas de fim de ano, os telespectadores seriam expostos a tão massivas demonstrações de amor e respeito ao próximo?! Crianças e adultos de coração puro mostram como é gratificante fazer o bem, vilões se arrependem de seus erros e todos vivem em paz. Ah!, e a Globo - sempre inovando - transmite Esqueceram de Mim e o especial em que a Xuxa salva Papai Noel.
Aliás, gostaria de fazer uma (breve) observação com relação ao "bom velhinho": ele me lembra Dom João VI. Aquela roupa pesada parece ser suada e fedorenta (sim, porque lá no pólo norte é frio, mas e quando ele vem entregar presentinhos em pleno verão no hemisfério sul?!); aquela barba deve ter resquícios da janta de dez dias anteriores; aquelas bochechas rosadas e os olhinhos pequenos, ninguém me tira da cabeça, são resultado de ingestão compulsiva de conhaque. Isso porque não quero entrar no mérito da maldade que é mentir para uma criança durante anos até aquele coleguinha pentelho da segunda série chegar para ela e falar, com toda a propriedade de quem conhece como ninguém o mundo, "Vai dizer que você ainda acredita em Papai Noel?! Ele não existe, bobão!".
Mas ainda não cheguei no ponto principal, que, diga-se de passagem, desencadeou este humilde desabafo: as decorações de natal. Quando digo isso, não me refiro à massante tarefa de montar a árvore na privacidade de sua sala de casa, pendurando ene bonequinhos, bolinhas e afins. Refiro-me aos milhões de kilowatts coloridos e piscantes espalhados pela cidade, tomando conta de fachadas, vitrines, letreiros etc. Por favor, não me levem a mal: não sou uma ditadora que visa banir quaisquer ornamentações, até porque cada um paga suas contas - e, se não paga, o problema também não é meu - e tem o direito de fazer o que quiser com a decoração de sua residência ou estabelecimento.
E devo acrescentar, ainda que as inovações decorativas me dessem sempre um certo receio, surpreendentemente, até hoje, nunca havia tido uma real reclamação a esse respeito. Até hoje.
Abri a cortina de meu quarto; deparei-me com uma árvore de arame, oca, montada do lado de fora de uma janela, com luzes vermelhas criando uma aura de uns dois metros de raio e alguns enfeites nem um pouco estrategicamente colocados.
Sabe quando bate aquela sensação de vergonha alheia?! Foi como me senti, com olhos vidrados na cena, testa franzida, dedos inquietos alternando entre o queixo, a boca, atrás da orelha...
Parecia que Roxanne - sim, aquela música mesmo - havia sido composta especialmente para esse momento. Pude até mesmo jurar, por um segundo, ter ouvido Sting cantá-la.
Minhas sinceras desculpas àqueles que esperavam uma razão um pouco mais séria para este texto.
E, ao meu vizinho anônimo, aprenda com as criancinhas de nobre coração e faça uma boa ação neste natal: "don't put on the red light".
*rs*
Seu texto tá perfeito, mas depois de se deparar com uma coisa dessas, não é de se estranhar essa "revolta".
Ninguém merece vizinho experimentando novas tendências e lançando arte moderna natalina, né verdade?
Ah, sou a Flah (zoada MOR) do CAD!
___bjs
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