o sol não brilha quando ele não está.
13 Fevereiro 2006 ~ 1:34 AM
02 Dezembro 2005 ~ 8:15 PM
Fato indiscutivel: não gosto de natal. Não, nem os panetones nem as férias são motivos bons o suficiente para me fazer suportá-lo. Deixem-me justificar-me.
Primeiramente, por não ser religiosa, o nascimento de Jesus não é mais importante do que o de nenhuma outra pessoa no mundo. No entanto, por motivos óbvios, escolhi festejar apenas aniversários de conhecidos (e, no máximo, conhecidos de conhecidos), o que exclui o supracitado a menos que sejamos devidamente apresentados.
Segundo, a correria das compras faz o comércio ficar insuportável: centenas de senhoras e senhores carregando incontáveis sacolas, se expremendo pelos corredores dos shoppings e tornando impraticável até mesmo um simples almoço de domingo.
Em terceiro lugar, a programação televisiva. Quando, que não durante as festas de fim de ano, os telespectadores seriam expostos a tão massivas demonstrações de amor e respeito ao próximo?! Crianças e adultos de coração puro mostram como é gratificante fazer o bem, vilões se arrependem de seus erros e todos vivem em paz. Ah!, e a Globo - sempre inovando - transmite Esqueceram de Mim e o especial em que a Xuxa salva Papai Noel.
Aliás, gostaria de fazer uma (breve) observação com relação ao "bom velhinho": ele me lembra Dom João VI. Aquela roupa pesada parece ser suada e fedorenta (sim, porque lá no pólo norte é frio, mas e quando ele vem entregar presentinhos em pleno verão no hemisfério sul?!); aquela barba deve ter resquícios da janta de dez dias anteriores; aquelas bochechas rosadas e os olhinhos pequenos, ninguém me tira da cabeça, são resultado de ingestão compulsiva de conhaque. Isso porque não quero entrar no mérito da maldade que é mentir para uma criança durante anos até aquele coleguinha pentelho da segunda série chegar para ela e falar, com toda a propriedade de quem conhece como ninguém o mundo, "Vai dizer que você ainda acredita em Papai Noel?! Ele não existe, bobão!".
Mas ainda não cheguei no ponto principal, que, diga-se de passagem, desencadeou este humilde desabafo: as decorações de natal. Quando digo isso, não me refiro à massante tarefa de montar a árvore na privacidade de sua sala de casa, pendurando ene bonequinhos, bolinhas e afins. Refiro-me aos milhões de kilowatts coloridos e piscantes espalhados pela cidade, tomando conta de fachadas, vitrines, letreiros etc. Por favor, não me levem a mal: não sou uma ditadora que visa banir quaisquer ornamentações, até porque cada um paga suas contas - e, se não paga, o problema também não é meu - e tem o direito de fazer o que quiser com a decoração de sua residência ou estabelecimento.
E devo acrescentar, ainda que as inovações decorativas me dessem sempre um certo receio, surpreendentemente, até hoje, nunca havia tido uma real reclamação a esse respeito. Até hoje.
Abri a cortina de meu quarto; deparei-me com uma árvore de arame, oca, montada do lado de fora de uma janela, com luzes vermelhas criando uma aura de uns dois metros de raio e alguns enfeites nem um pouco estrategicamente colocados.
Sabe quando bate aquela sensação de vergonha alheia?! Foi como me senti, com olhos vidrados na cena, testa franzida, dedos inquietos alternando entre o queixo, a boca, atrás da orelha...
Parecia que Roxanne - sim, aquela música mesmo - havia sido composta especialmente para esse momento. Pude até mesmo jurar, por um segundo, ter ouvido Sting cantá-la.
Minhas sinceras desculpas àqueles que esperavam uma razão um pouco mais séria para este texto.
E, ao meu vizinho anônimo, aprenda com as criancinhas de nobre coração e faça uma boa ação neste natal: "don't put on the red light".
Primeiramente, por não ser religiosa, o nascimento de Jesus não é mais importante do que o de nenhuma outra pessoa no mundo. No entanto, por motivos óbvios, escolhi festejar apenas aniversários de conhecidos (e, no máximo, conhecidos de conhecidos), o que exclui o supracitado a menos que sejamos devidamente apresentados.
Segundo, a correria das compras faz o comércio ficar insuportável: centenas de senhoras e senhores carregando incontáveis sacolas, se expremendo pelos corredores dos shoppings e tornando impraticável até mesmo um simples almoço de domingo.
Em terceiro lugar, a programação televisiva. Quando, que não durante as festas de fim de ano, os telespectadores seriam expostos a tão massivas demonstrações de amor e respeito ao próximo?! Crianças e adultos de coração puro mostram como é gratificante fazer o bem, vilões se arrependem de seus erros e todos vivem em paz. Ah!, e a Globo - sempre inovando - transmite Esqueceram de Mim e o especial em que a Xuxa salva Papai Noel.
Aliás, gostaria de fazer uma (breve) observação com relação ao "bom velhinho": ele me lembra Dom João VI. Aquela roupa pesada parece ser suada e fedorenta (sim, porque lá no pólo norte é frio, mas e quando ele vem entregar presentinhos em pleno verão no hemisfério sul?!); aquela barba deve ter resquícios da janta de dez dias anteriores; aquelas bochechas rosadas e os olhinhos pequenos, ninguém me tira da cabeça, são resultado de ingestão compulsiva de conhaque. Isso porque não quero entrar no mérito da maldade que é mentir para uma criança durante anos até aquele coleguinha pentelho da segunda série chegar para ela e falar, com toda a propriedade de quem conhece como ninguém o mundo, "Vai dizer que você ainda acredita em Papai Noel?! Ele não existe, bobão!".
Mas ainda não cheguei no ponto principal, que, diga-se de passagem, desencadeou este humilde desabafo: as decorações de natal. Quando digo isso, não me refiro à massante tarefa de montar a árvore na privacidade de sua sala de casa, pendurando ene bonequinhos, bolinhas e afins. Refiro-me aos milhões de kilowatts coloridos e piscantes espalhados pela cidade, tomando conta de fachadas, vitrines, letreiros etc. Por favor, não me levem a mal: não sou uma ditadora que visa banir quaisquer ornamentações, até porque cada um paga suas contas - e, se não paga, o problema também não é meu - e tem o direito de fazer o que quiser com a decoração de sua residência ou estabelecimento.
E devo acrescentar, ainda que as inovações decorativas me dessem sempre um certo receio, surpreendentemente, até hoje, nunca havia tido uma real reclamação a esse respeito. Até hoje.
Abri a cortina de meu quarto; deparei-me com uma árvore de arame, oca, montada do lado de fora de uma janela, com luzes vermelhas criando uma aura de uns dois metros de raio e alguns enfeites nem um pouco estrategicamente colocados.
Sabe quando bate aquela sensação de vergonha alheia?! Foi como me senti, com olhos vidrados na cena, testa franzida, dedos inquietos alternando entre o queixo, a boca, atrás da orelha...
Parecia que Roxanne - sim, aquela música mesmo - havia sido composta especialmente para esse momento. Pude até mesmo jurar, por um segundo, ter ouvido Sting cantá-la.
Minhas sinceras desculpas àqueles que esperavam uma razão um pouco mais séria para este texto.
E, ao meu vizinho anônimo, aprenda com as criancinhas de nobre coração e faça uma boa ação neste natal: "don't put on the red light".
01 Dezembro 2005 ~ 5:58 PM
olhou-se no espelho.
maqueou-se, escolheu o vestido mais bonito, pegou seu perfume mais caro, fez um belo penteado.
abriu a caixa de jóias, e não escolheria nenhum outro cordão que não aquele - sim, aquele que ganhara alguns meses antes e que era o mais especial de todos.
calçou os sapatos, olhou-se novamente no espelho, sentou-se no sofá e esperou. e esperou, e esperou, e esperou.
só não sabia exatamente o quê.
enlouquecera.
maqueou-se, escolheu o vestido mais bonito, pegou seu perfume mais caro, fez um belo penteado.
abriu a caixa de jóias, e não escolheria nenhum outro cordão que não aquele - sim, aquele que ganhara alguns meses antes e que era o mais especial de todos.
calçou os sapatos, olhou-se novamente no espelho, sentou-se no sofá e esperou. e esperou, e esperou, e esperou.
só não sabia exatamente o quê.
enlouquecera.
28 Novembro 2005 ~ 11:38 PM
já passava das onze.
o barulho das gotas de chuva batendo com força no vidro ecoava por todos os cômodos.
ela continuava sentada no mesmo lugar, lembrando de outras noites chuvosas, de quantas vezes ele desistira de ir embora - "enfrentar ruas molhadas a essa hora é perigoso, você sabe."
sim, ela sabia; mas não eram elas o faziam ficar.
e agora desejava, desesperadamente, que fossem elas - apenas elas - que o impedissem de voltar.
o barulho das gotas de chuva batendo com força no vidro ecoava por todos os cômodos.
ela continuava sentada no mesmo lugar, lembrando de outras noites chuvosas, de quantas vezes ele desistira de ir embora - "enfrentar ruas molhadas a essa hora é perigoso, você sabe."
sim, ela sabia; mas não eram elas o faziam ficar.
e agora desejava, desesperadamente, que fossem elas - apenas elas - que o impedissem de voltar.